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domingo, 7 de março de 2010

Adeus

"Toda despedida é dor... tão doce todavia, que eu te diria boa noite até que amanhecesse o dia"
(William Shakespeare)

Era fim de tarde e a gente sentou um ao lado do outro na fina areia da praia. De frente ao imenso mar azul o que me hipnotizava eram os teus olhos apertados enquanto sorria. Te fitava procurando desvendar teus segredos e ria de mim mesma por saber que não conseguiria jamais entender o que passava pela tua cabeça. Desisti e resolvi aproveitar aquelas últimas gotas de tempo contigo para gravar cada detalhe na memória. O vento desgrenhava meu cabelo e trazia um gosto de espuma salgada. Mesmo sabor da saudade que eu já começara a sentir. O sol preguiçoso se deitava no mar e o céu se pintava de um laranja roseado. Uma cor bonita como meu carinho. Mesmo encantada com o espetáculo que a natureza nos brindava em nosso último encontro, me peguei viajando entre as lembranças de nós dois. E eram tantos momentos, tantas sensações, tantas emoções que lembrei até do que não foi. O sol ia morrendo e levando você de mim. E com você as certezas, os sonhos e as ilusões de uma história de amor sem final feliz. Tudo ia ficando escuro e eu não tinha medo porque você ainda estava lá. Era assim que eu sonhava em passar meu último dia contigo. Culpa dos filmes que a gente assiste. Vida real é diferente e você foi embora sem ao menos dizer adeus, sem um último abraço, sem sequer um olhar. Você virou e, de cabeça baixa, partiu em uma noite qualquer. E eu a imaginar porque nesse tempo todo você sempre decidia que o melhor era ir que ficar.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Reencontro...

Hoje a gente mal se fala e faz de conta que esqueceu dos abraços, beijos, momentos, desejos... A gente finge que guardou junto com as lembranças o amor que aconteceu. E, por mais que eu entenda que eu deixei de ser “tua” e você, “meu”, é muito estranho me sentir assim tão distante de ti. Se antes era difícil amanhecer sem ter você, agora mal consigo tê-lo em um abraço. Já não sonho acordada com a gente e nem digo inúmeras vezes seu nome, não me pego pensando em você em meio a louca rotina do trabalho e muito menos disco teu número em busca, simplesmente, do conforto da tua voz. Tenho vergonha de ser boba, louca, criança, séria... Tenho medo de me mostrar de novo como eu sou.

Não é orgulho, nem rancor ou raiva. É defesa. Não sei nem quando, nem como, nem quanto te amo. O que sei é que a mesma intensidade que um dia me impulsionou a me jogar de olhos fechados em teus lábios agora me proíbe de ti. Não posso acertar se a distância e o tempo nos tornaram menos íntimos, quase estranhos um pro outro. O fato é que não garanto que consigo perceber o que se passa em teus olhos, tua fala, teus gestos. Provavelmente, nem você me vê mais como confidente, companheira, amiga verdadeira, amante nas horas vagas... O que sou pra você e o que você é pra mim? Quando que eu deixei de ser pra você aquilo que você era pra mim? Como a gente nem percebeu que o sal do mar foi alterando o sabor do nosso carinho?



“Tornar o amor real é expulsa-lo de você para que ele possa ser de alguém”,
Nando Reis