Minha vida está longe de ser um filme, mas o que eu nunca pude reclamar é de não ter uma trilha sonora de cada momento. Ontem, ouvindo Roberto Carlos, percebi que nada poderia falar melhor de meus desejos mais urgentes. Nesse post, poupo minhas palavras, abro espaço e deixo o Rei falar de mim:
Do fundo do meu coração
Eu, cada vez que vi você chegar,
Me fazer sorrir e me deixar
Decidido, eu disse nunca mais
Mas, novamente estúpido provei
Desse doce amargo quando eu sei
Cada volta sua o que me faz
Vi todo o meu orgulho em sua mão
Deslizar, se espatifar no chão
Vi o meu amor tratado assim
Mas, basta agora o que você me fez
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca mais pra mim
Mais uma vez aqui
Olhando as cicatrizes desse amor
Eu vou ficar aqui
E sei que vou chorar a mesma dor
Agora eu tenho que saber
O que é viver sem você
Eu, toda vez que vi você voltar,
Eu pensei que fosse pra ficar
E mais uma vez falei que 'sim'
Mas, já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
Mais uma vez aqui
Olhando as cicatrizes desse amor
Eu vou ficar aqui
E sei que vou chorar a mesma dor
Se você me perguntar se ainda é seu
Todo o meu amor, eu sei que eu
Certamente vou dizer que 'sim'
Mas, já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
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quarta-feira, 31 de março de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Hoje eu quero ser demodé
O bonito hoje é ser forte, moderno e auto-suficiente.A sociedade cultiva e exige essas qualidades. E a gente, pra não ser taxado como antiquado, vai tentando se adaptar, criando crostas que nos impedem de demonstrar nossas fragilidades. Vivemos fingindo, escondendo tristezas e estampando grandes e falsos sorrisos. É melhor ser alegre que estar triste. Tristeza também é sinal de fraqueza. Vamos sublimando as mágoas ou apenas guardando em algum lugar do coração repleto de feridas abertas. Vixe, falar em coração também é démodé. O “da hora” é falar de inteligência emocional! Mas me desculpem os teóricos e vendedores de bestsellers, mas fingir que não somos frágeis é burrice. Como é fácil magoar e ser magoado. É só abrir a boca e falar sem pensar ou agir sem se colocar na posição do outro. Somos tão afetados emocionalmente por quem nos rodeia que muita gente anda se fechando em uma concha e vivendo relacionamentos superficiais para evitar que o castelinho de areia dos sentimentos desmorone. Não é fácil se sentir refém dos sentimentos, essa coisa louca e irracional que nos lembra que somos feitos de carne, osso e emoção. Sair do controle das coisas causa medo e reconhecer que dependemos do outro arrepia. Mas isso é fato! Somo seres humanos dependentes de relações sociais e é essa nossa maior fraqueza e maior fortaleza. Juntos, somos fortes, quentes, potentes... Mas, ao mesmo tempo, espinhamos, ferimos, sangramos a nós mesmos. Hoje, eu quero me despir da máscara da alegria exigida e mostrar-me de cara lavada. Quero não ter que responder automaticamente “tubo bem” ao ser perguntada como estou. Tiro minha licença para assumir que choro, que sofro, que me angustio e descabelo quando a mágoa de quem amo surge imponente, de mala e cuia, na minha casa. Choro de amor e, pelo menos hoje, não me incomodo em estar fora de moda.
"Não, solidão, hoje não quero me retocar Nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas" (Chico Buarque)
"Não, solidão, hoje não quero me retocar Nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas" (Chico Buarque)
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