terça-feira, 22 de junho de 2010

Indicação: felicidade!


O ser-humano nasceu mesmo foi pra ser feliz. A felicidade está na nossa composição química e é tão intrínseca a nós que às vezes nem percebemos que estamos mais que contentes. A tristeza já dói, sinaliza ao corpo e a mente que está presente e nos faz exalar pelos poros melancolia. Portanto, fiquemos atentos a essa danada. A tristeza fica a espreita de qualquer descuido nosso e aí, quando a gente menos espera, ela bate. Devemos, portanto, estimular momentos felizes, cultivar sorrisos, chorar só se for de alegria. Ah, já ia esquecendo: não se envergonhar e dizer de todas as formas que amamos quem amamos. Isso é excelente para ser feliz. Esses dias, me peguei rindo à toa, dividindo sorrisos, distribuindo abraços e matando saudades. No aeroporto, em meio a tantos desconhecido, reconheci os olhares cúmplices de meus amigos. Estávamos reunidos, com plaquinhas, adereços, gritinhos e braços abertos a espera de saudosos e amados familiares. Desconhecidos nos olhavam como se estivéssemos fazendo algo anormal, enquanto apenas demonstrávamos nosso carinho. Abraçamos e choramos de alegria. Matamos a saudade, a tristeza, as mágoas e tudo o que poderia azedar nossa felicidade. E ela era tão doooce!

sábado, 12 de junho de 2010

Seu dia

Onde eu estava com a minha cabeça o dia todo? Acordo sobressaltada quando a primeira coisa que vejo assim que abro os olhos é o relógio gritando 8h. Atrasada... Não, atrasada é pouco. Eu já deveria estar no trabalho, mas eu estava correndo louca pro chuveiro para um banho rápido. Desço as escadas ainda penteando os cabelos e quando chego na porta do carro descubro que, além de esquecer de colocar o despertador para as 7h, também esqueci das chaves do carro em cima da mesa. Droga! Logo hoje.... Subo, ofegante, os três andares para pegar a droga do chaveiro. Rodo todas as ruas ao entorno do trabalho para achar uma vaga e nada. Coloco longe e tenho que correr para ainda lutar por um computador. Quando chego na catraca, outra surpresinha: esqueci me crachá. Lá se vão mais 15 minutos para o Cláudio me entregar um de visitante. Demoro um tempinho para ir desacelando. Mas, como uma boa profissional, vou escrevendo, editando, pedindo fotos, resolvendo problemas. Até que reviro minha bolsa inteirinha e percebo que não trouxe o celular. Deus sabe como eu me sinto sem celular. Não sei um número de telefone de cor, não ando com relógio e tudo porque meu celular me acostumou mal. Passo o dia inteiro com a sensação de estar atrasada ou esquecendo algo. Até que descubro que não tinha enviado aquela entrevista difícil para aquela cantora famosíssima e que por cauda disso provavelmente não terei minhas respostas. Meu Deus, onde está minha cabeça? Demoro mais um pouco no trabalho para só sair de lá quando estivesse certa que não teria deixado mais nada escapar. Chego em casa mais tarde e vejo que perdi mais uma vez a consulta com a dermatologista. E minha cara está horrível e realmente precisando de ajuda médica. Ai, só queria que o dia terminasse logo. À noite, antes de dormir, olho pro móvel da sala e vejo que terei que pagar a multa por não devolver a temporada de Grey’s Anatomy para a locadora. Resmungo mais um pouco. Pego o celular, ponho o despertador para as 7h e olho mais uma vez para o visor. Olho e o que eu vejo é a única coisa que eu não esqueci o dia inteiro: hoje é o dia do seu aniversário. E eu não o vi, falei nem desejei felicidades. Ainda bem que o dia acabou.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Astral


Nasci, às 4h38, do dia 4 de novembro de 1983. Portanto, quis o universo que eu viesse a esse mundo sob o signo de escorpião. Não é que, depois de muito negar, hoje reconheço que sou uma típica escorpiana? E como todo mundo do signo de água, sou puro sentimento, instinto, intimidade, profundidade e volúpia. Hummm... é aí as pessoas dizem “que maravilha de signo poderoso”. Só que também vem as influências não tão positivas: sentimentalismo exagerado, ciúmes, drama, excessos e por aí vai. Leio meu horóscopo sempre (atire a primeira pedra quem nunca correu para o jornal e leu o seu!) e acredito, sim, no poder das estrelas, lua, sol e dos anjos. Ora, se os astros são capazes de influenciar a maré, as colheitas e até os ciclos menstruais, porque não nossas características? O fato é que ser escorpiana é explicação para muita coisa quando penso em mim. Os excessos me cansam e a violência dos meus sentimentos e paixões me assusta. Tudo é exagero e consome muita energia. Amo demais, sofro mais ainda, quero tudo em profundidade e as emoções perseguem minha racionalidade com uma avidez descomunal. Às vezes, pareço uma arena em que luto comigo mesma. Bipolar? Não sei! Não recebi o diagnóstico ainda. Mas isso tudo foi pra dizer que eu ando sentindo uma falta, um vazio e uma vontade que há algum tempo não sentia. Que se eu deixasse me entregar inteiramente ao desejo, teria feito besteira ou certeira (?). Mas, abro meu e-mail e vejo meu horóscopo pessoal. Nele dizia que eu tinha que parar de agir como se não tivesse problemas, que eu precisava de um reencontro para clarear a vida e que fugir não era mais opção. Arregalei os olhos e disse: “olha aí o motivo”. Não obedeci aos astros. Fiquei na minha, fugindo de encontros. Mas corri para a janela para pedir ao céu e à lua, que estava irresistivelmente apaixonante, para me trazer uma onda de boas energias (esqueci de dizer que também acredito em energia) e lindos momentos.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Do fundo do meu coração

Minha vida está longe de ser um filme, mas o que eu nunca pude reclamar é de não ter uma trilha sonora de cada momento. Ontem, ouvindo Roberto Carlos, percebi que nada poderia falar melhor de meus desejos mais urgentes. Nesse post, poupo minhas palavras, abro espaço e deixo o Rei falar de mim:

Do fundo do meu coração
Eu, cada vez que vi você chegar,
Me fazer sorrir e me deixar
Decidido, eu disse nunca mais
Mas, novamente estúpido provei
Desse doce amargo quando eu sei
Cada volta sua o que me faz

Vi todo o meu orgulho em sua mão
Deslizar, se espatifar no chão
Vi o meu amor tratado assim
Mas, basta agora o que você me fez
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca mais pra mim

Mais uma vez aqui
Olhando as cicatrizes desse amor
Eu vou ficar aqui
E sei que vou chorar a mesma dor

Agora eu tenho que saber
O que é viver sem você

Eu, toda vez que vi você voltar,
Eu pensei que fosse pra ficar
E mais uma vez falei que 'sim'
Mas, já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim

Mais uma vez aqui
Olhando as cicatrizes desse amor
Eu vou ficar aqui
E sei que vou chorar a mesma dor

Se você me perguntar se ainda é seu
Todo o meu amor, eu sei que eu
Certamente vou dizer que 'sim'
Mas, já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim

Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim

terça-feira, 16 de março de 2010

E o feitiço se voltou contra o feiticeiro

Na mesa de bar, entre um papo picante e uma conversa séria, te perguntei – à queima roupa – se tinhas medo de mim. Você ficou meio atônito, deu um gole na cerveja e não respondeu. Fez uma cara de quem precisava de uma explicação. “Medo? Como assim?”, diziam teus olhos pra mim. Então disparei: “Medo porque eu te conheço, já vi de perto sua alma. Medo porque tu sabes que se mentires pra mim eu saberei. Medo porque já vi tua fragilidade e sei de todos os teus defeitos”, disse com uma urgência orgulhosa. Você permaneceu calado, se esquivando de reconhecer cada frase que eu havia dito. Só abriu a boca pra ressaltar: “Não minto pra você. Pra você, eu não minto”. Relembrei esse retalho de nossa conversa dessa noite, que terminou na manhã do dia seguinte, hoje. E, passado quase três meses ou mais (nem sei direito), percebo que medo tenho eu. Temo em te tirar dessa sala empoeirada que é meu coração. Tenho medo exatamente pelos motivos que te dei. É assustadoramente estranho tocar a alma de alguém, penetrar no pensamento e ler que não sou mais quase nada para ti. E, para mim, você não mente. Medo! Medo de te ver com outro alguém, de nunca mais te ver, de te afastar, de ficarmos estranhos, de não conseguir mais interpretar teus silêncios. Tenho medo, e confesso, de afugentar minha inspiração para escrever, sorrir e viver quando te expulsar de dentro de mim. Você vai e leva metade de mim. E quase sempre é a metade boa. O que fica é parte melancólica, nostálgica, ferida, assustada. Antes de ir pra sempre, por favor, me devolve pra mim. Porque o que eu tenho mais medo é de não ficar inteira sem você.

domingo, 7 de março de 2010

Adeus

"Toda despedida é dor... tão doce todavia, que eu te diria boa noite até que amanhecesse o dia"
(William Shakespeare)

Era fim de tarde e a gente sentou um ao lado do outro na fina areia da praia. De frente ao imenso mar azul o que me hipnotizava eram os teus olhos apertados enquanto sorria. Te fitava procurando desvendar teus segredos e ria de mim mesma por saber que não conseguiria jamais entender o que passava pela tua cabeça. Desisti e resolvi aproveitar aquelas últimas gotas de tempo contigo para gravar cada detalhe na memória. O vento desgrenhava meu cabelo e trazia um gosto de espuma salgada. Mesmo sabor da saudade que eu já começara a sentir. O sol preguiçoso se deitava no mar e o céu se pintava de um laranja roseado. Uma cor bonita como meu carinho. Mesmo encantada com o espetáculo que a natureza nos brindava em nosso último encontro, me peguei viajando entre as lembranças de nós dois. E eram tantos momentos, tantas sensações, tantas emoções que lembrei até do que não foi. O sol ia morrendo e levando você de mim. E com você as certezas, os sonhos e as ilusões de uma história de amor sem final feliz. Tudo ia ficando escuro e eu não tinha medo porque você ainda estava lá. Era assim que eu sonhava em passar meu último dia contigo. Culpa dos filmes que a gente assiste. Vida real é diferente e você foi embora sem ao menos dizer adeus, sem um último abraço, sem sequer um olhar. Você virou e, de cabeça baixa, partiu em uma noite qualquer. E eu a imaginar porque nesse tempo todo você sempre decidia que o melhor era ir que ficar.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Hoje eu quero ser demodé

O bonito hoje é ser forte, moderno e auto-suficiente.A sociedade cultiva e exige essas qualidades. E a gente, pra não ser taxado como antiquado, vai tentando se adaptar, criando crostas que nos impedem de demonstrar nossas fragilidades. Vivemos fingindo, escondendo tristezas e estampando grandes e falsos sorrisos. É melhor ser alegre que estar triste. Tristeza também é sinal de fraqueza. Vamos sublimando as mágoas ou apenas guardando em algum lugar do coração repleto de feridas abertas. Vixe, falar em coração também é démodé. O “da hora” é falar de inteligência emocional! Mas me desculpem os teóricos e vendedores de bestsellers, mas fingir que não somos frágeis é burrice. Como é fácil magoar e ser magoado. É só abrir a boca e falar sem pensar ou agir sem se colocar na posição do outro. Somos tão afetados emocionalmente por quem nos rodeia que muita gente anda se fechando em uma concha e vivendo relacionamentos superficiais para evitar que o castelinho de areia dos sentimentos desmorone. Não é fácil se sentir refém dos sentimentos, essa coisa louca e irracional que nos lembra que somos feitos de carne, osso e emoção. Sair do controle das coisas causa medo e reconhecer que dependemos do outro arrepia. Mas isso é fato! Somo seres humanos dependentes de relações sociais e é essa nossa maior fraqueza e maior fortaleza. Juntos, somos fortes, quentes, potentes... Mas, ao mesmo tempo, espinhamos, ferimos, sangramos a nós mesmos. Hoje, eu quero me despir da máscara da alegria exigida e mostrar-me de cara lavada. Quero não ter que responder automaticamente “tubo bem” ao ser perguntada como estou. Tiro minha licença para assumir que choro, que sofro, que me angustio e descabelo quando a mágoa de quem amo surge imponente, de mala e cuia, na minha casa. Choro de amor e, pelo menos hoje, não me incomodo em estar fora de moda.



"Não, solidão, hoje não quero me retocar Nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas" (Chico Buarque)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Envelhecer é encher os tonéis de saudade


Um dia eu li em algum lugar que “envelhecer é encher sem fim os tonéis de saudade”. Lembro que na época eu gostei muito da frase. Confesso que mais pelo efeito que pelo entendimento. Agora, faltando algumas horas para que eu, de repente, acorde com vinte e seis anos (ai, chega a dar medo!), esse conceito me cai como uma luva. Venho pensado muito na minha vida, ultimamente. Fazendo aqueles balanços típicos de fim de ciclos, analisando as perdas e ganhos, planejando o próximo ano, prometendo coisas a mim mesma. Pensar, pensar, pensar e pensar. De súbito, percebi que deveria deixar de tentar racionalizar tanto e me deixar simplesmente sentir. Foi quando eu senti que eu estava, de fato, “transbordando de saudade”. Não a saudade das pessoas que passaram pela minha vida e me deixaram marcas – algumas profundas e outras nem tanto-, mas uma falta de mim. Sinto saudade da ingenuidade que me acompanhou durante tantos anos e me fazia acreditar, sem nem pestanejar, em um mero desconhecido. Onde está aquele contentamento infantil aprendido com a pequena Polyana? Ou mesmo o romantismo incorrigível que me fazia acreditar no príncipe encantado e no amor eterno? Por onde deixei a confiança quase suicida de me entregar sem reservas às pessoas? E a coragem inocente de dizer tudo o que o coração sentia, sem medo de me expor ou de me despir de qualquer armadura? Que saudade de mim, do que eu quis ser e não fui! Uma saudade que o tempo nos deixa. Envelhecer traz consigo a sabedoria de conseguir enxergar além das máscaras das pessoas, de perceber os perigos e nos fazer proteger do que, invariavelmente, nos fará mal. Sofrer é inevitável, mas tudo o que pudermos fazer para diminuir a dor a gente faz. Amar é nossa missão, principalmente, quando o amor é pra gente mesmo. Então, essa saudade tem um gosto amargo doce. Aquilo que nos faz querer voltar a ser o que era e, ao mesmo tempo, perceber que o que ficou também não é ruim... que ser mais realista é necessário. Talvez, no próximo ano, terei saudades de outras coisas de mim. Por enquanto, essa saudade me inunda e me faz transbordar.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Carol.


A gente tem poucas certezas na vida e muitas lembranças. Certeza é quando não se tem dúvida nenhuma. Lembrança é quando a gente se pega revivendo o passado através de recordações. No meu dicionário, essas duas palavras têm o mesmo sinônimo. No baú da memória é difícil o momento em que não esteve presente, o segredo que não foi confidenciado, o pranto que não foi acalantado, o sorriso que não foi repartido. Lembrar da minha história é conseguir sentir sua presença bem perto. Desde as inocentes brincadeiras de boneca, a amizade com cheiro doce de bombom, biscoito, bolo e sorvete. Na adolescência cheia de dúvidas, a estabilidade que teus ouvidos, sempre dispostos a mais um devaneio meu, me proporcionava. E o frescor dessa recente vida adulta sendo descoberto juntas. Degrau por degrau... Crescendo a cada ano.... Apagando, sob o aplauso da outra, cada vela. Isso são lembranças. Isso também é certeza. Certeza de que nunca estarei sozinha, de que amar vale a pena, que apenas um olhar é o suficiente e que Deus acertou em cheio quando uniu nossas vidas através de sangue, confiança e carinho.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Com a mala na mão

Parado na porta da minha casa, segurando uma imensa mala vermelha, ele me olha sem dizer uma só palavra. Grande, forte, bonito... Dá até uma dorzinha no peito, uma espécie de saudade da companhia, do conforto, da segurança , da adrenalina que me causava. Às vezes fico pensando que ele podia ficar um pouquinho mais de tempo, uns dias a mais, horas sequer pra gastar um pouquinho mais da presença.
Imploro, faço charme, bico, cena. Tudo em vão. A gente vai descendo as escadas rumo ao carro que o espera com o motor já ligado. Em cada degrau a gente relembra momentos. Como nos divertimos! Com ele, tinha mais vontade de aceitar a vida, perdoar os outros, ser mais amiga, ajudar criancinhas, me aventurar em viagens inesperadas, varar a noite de bar em bar, dançar até nascer o dia...
No fundo eu sei (sempre soube, na verdade!) que sua passagem pela minha vida era passageira, sem querer ser redundante. Ele nunca disse que iria ficar pra sempre. Tinha a passagem de volta comprada qunado chegou. E nossa convivência já não estava sendo assim tão harmônica. Ultimamente, não me sentia mais inteira, completa, solar. O mundo não cabia mais na minha mão. Voltara a ser graaande e eu pequenina com meus meros 1,68m.
Eu olho pro carro dobrando a esquina com ele dentro. A rua vai crescendo, levando-o para mais distante até desaparecer. Não choro, como pensava que faria. Eu sei que ele volta. O Sr. Amor sempre volta, pode até não ser eterno. Volta, volta, sim. Com outras roupas, presentes, habilidades. Pode não dançar bem, mas cantar em uma serenata ou escrever pra mim poemas ou me fazer rir com piadas inteligentes. O problema é que dá preguiça de começar tudo de novo. Mas to louca pra voltar a acorda cantando, a ficar que nem boba, a esperar tocar o telefone. No momento, subo a escada sozinha, mas com a sensação de que vivi o que poderia viver.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

enLUArada

Fazia tempo que não escrevia. E era o danado do tempo que impedia. Danada, fugi e escrevi correndo o texto só pra matar a saudade daqui.


Oh, Lua majestosa! Redonda, dourada, encantada.
Lua que embala o romance dos namorados
Musa inspiradora dos poetas
Astro que reina nesse céu infinito de estrelas
Te olho e tu me fitas como se me conhecesse intimamente
Como se me confidenciasse, faceira, parceira
És bela na tua perfeita forma
Incerta, mutável, completa e em pedaços
E me pergunto: é esse o teu mistério?
Tu me respondes com um silêncio noturno
Volto a perguntar, dessa vez, se meu amor te ver
Tu, lá em cima, ele, longe, eu, distante
Fugaz, te escondes na neblina
A Lua foge pra não levar meu beijo ao seu destino
Eu aguardo o afago, o carinho, o abraço, o encontro e o aconchego

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Reencontro...

Hoje a gente mal se fala e faz de conta que esqueceu dos abraços, beijos, momentos, desejos... A gente finge que guardou junto com as lembranças o amor que aconteceu. E, por mais que eu entenda que eu deixei de ser “tua” e você, “meu”, é muito estranho me sentir assim tão distante de ti. Se antes era difícil amanhecer sem ter você, agora mal consigo tê-lo em um abraço. Já não sonho acordada com a gente e nem digo inúmeras vezes seu nome, não me pego pensando em você em meio a louca rotina do trabalho e muito menos disco teu número em busca, simplesmente, do conforto da tua voz. Tenho vergonha de ser boba, louca, criança, séria... Tenho medo de me mostrar de novo como eu sou.

Não é orgulho, nem rancor ou raiva. É defesa. Não sei nem quando, nem como, nem quanto te amo. O que sei é que a mesma intensidade que um dia me impulsionou a me jogar de olhos fechados em teus lábios agora me proíbe de ti. Não posso acertar se a distância e o tempo nos tornaram menos íntimos, quase estranhos um pro outro. O fato é que não garanto que consigo perceber o que se passa em teus olhos, tua fala, teus gestos. Provavelmente, nem você me vê mais como confidente, companheira, amiga verdadeira, amante nas horas vagas... O que sou pra você e o que você é pra mim? Quando que eu deixei de ser pra você aquilo que você era pra mim? Como a gente nem percebeu que o sal do mar foi alterando o sabor do nosso carinho?



“Tornar o amor real é expulsa-lo de você para que ele possa ser de alguém”,
Nando Reis

segunda-feira, 20 de julho de 2009

ao som de um bolero


Abro a porta de casa e adentro a sala ainda escura. Ligo o interruptor e o salão vai clareando. Como de costume, já vou desamarrando as sandálias e pisando com a ponta do pé o piso de madeira frio. Caminho devagar pelo recinto e abro displicente a porta da varanda quando, de repente, um bolero ecoa baixinho pela casa. Paro e tento ouvir melhor a canção que parece vir do prédio ao lado. Há quanto tempo não escuto um bolerão! A voz de Luis Miguel cantando “La barca” me convida a fechar os olhos e a me transportar magicamente a outro lugar. A cada acorde, um pensamento me foge e se perde entre memórias, sensações, sonhos e desejos. Como se estivesse sendo conduzida a bailar pela voz apaixonada do cantor, movo devagarzinho o corpo num “dois pra lá, dois pra cá”. “Dicen que la distancia es el olvido, pero yo no concibo esa razón”. Acordo e olho desconfiada ao redor. Seria brincadeira ou imaginação? Contudo, a canção continua independente do abrir ou fechar dos olhos. Rendo-me, então convencida, a um bailar solitário. Rodopio entre minhas plantas num movimento que acreditava não saber mais. Danço sozinha, mas deixo que a canção invada meus pensamentos. Danço sem me preocupar se estou ficando maluca ou se estou errando o ritmo. Danço pra mim, como há muito tempo não fazia. Gasto aqueles minutos na ponta dos pés e é com se eles tocassem apenas sonhos. O vizinho desliga o som e nem escuto que a música acabou. O coração está tão leve, tão feliz... Percebo que dançar continua sendo meu prazer, independente se meu par está ou não abraçado a mim.

terça-feira, 14 de julho de 2009

É amore?

Não me venha com seu sorriso irresistível e os brilhantes olhos apertados. Quero mais que mentiras sinceras e declarações de amor vazias. Cansei das tuas brincadeiras, desde aquelas com os meus cabelos, as cócegas abruptas e, principalmente, o jogo com os meus sentimentos. Dizer “eu te amo” perdeu a graça e caiu na banalização. Nem te culpo tanto. Afinal, será que de fato já amou alguém?
O problema é você gritar pra todo mundo “eu te amo” e ter a coragem de dizer essas três palavrinhas olhando pra mim. Como é que se ama quem mal se conhece? E não argumente sobre o amor a primeira vista. Não acredito mais em Papai Noel, Contos de Fadas e, muito menos, Príncipe Encantado. Amor de verdade é esculpido dia após dia. Tem as cores da cumplicidade e não brota em terra de mentira.
Amor de verdade é atento, se interessa pela sua vida, aconselha o melhor caminho, apóia os mais loucos sonhos, aconchega nas atribulações e perdoa os rompantes de raiva. Amor de verdade resiste à revelação daqueles segredos guardados à sete chaves, aos charmosos defeitos e acha lindo o chulé, o pé feinho e o bafo quando acordam juntos.
Quando eu digo “eu te amo” ressalto cada letra desta frase e digo, sem nem precisar falar, apenas com o olhar. Mas às vezes a gente precisa ouvir sonoramente essas palavras. Não da boca pra fora... Não o mesmo “eu te amo” que diz a quem mal entende sua fala. Queria ouvir um “eu te amo” que você nunca disse. Aquele com alma e verdade. Capisci?

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Dúvida

O céu azul e as nuvens branquinhas. Enfim, depois de tanta chuva, o sol tinha voltado. Sentada na areia fina da praia me concentro a construir bem devagar um murinho. Enquanto o sol castiga silencioso o branquinho da pele, franzo testa e nariz, como se estivesse querendo enxergar mais longe. A luminosidade é forte e chega a doer o olhar e a arder os ombros. Fazia tempo que não me expunha tanto e, claro, o corpo sentia essa demora. Aos poucos, vou abrindo lentamente os olhos, a testa volta a ficar retinha e começo a aproveitar o momento. Sinto o cheiro salgado da praia, a brisa acaricia meu rosto, bagunçando de leve os cabelos. O barulho do mar parece soar mais forte e acalma. Fecho os olhos para organizar e potencializar as sensações. Temo que o tempo feche de novo ou que a onda, rebelde, derrube a frágil barreira que criei com tanto zelo. Meu coração agitado não deixa mais sentir aquela paz. Medo de perder o momento, de perder meu episódio feliz, meu calorzinho abrandado pelo vento discreto. Será que a onda é forte? Será que preciso do muro? Será .... será... será.... A dúvida me faz perder tempo. O medo me rouba o momento. Abro os olhos e o que vejo?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O rei está morto

Michel Jackson morreu. Até para quem não é fã do cantor, como eu, a notícia soou como um grande susto. A gente não para pra pensar que essas pessoas são mortais. Que até o Rei do Pop um dia abandonaria seu trono. Mas, agora, o que me vem à cabeça é quão humanos e expostos são esses Olimpianos. Apesar de toda a genialidade de sua obra, dos avanços que promoveu no meio musical, das barreiras que transpôs, Michael morre e é lembrado, pela maioria, apenas pelos escândalos sobre seu possível desvio sexual, sobre o negro que ficou branco, sobre o pedófilo e excêntrico... Até parece que a fama e o dinheiro são garantias e obrigação de felicidade plena. As pessoas criticam que, “tendo tudo, não deveria ter terminado assim”, mas não pensam que, talvez, o que faltou ao menino era infância na hora certa, os momentos de brincadeiras ao invés dos aplausos no palco. O que faltou foi a oportunidade de errar e não a exigência da perfeição. Perfeição que se traduz na cara, na busca eterna pela juventude, na metamorfose estética mal-sucedida. Na hora, em que Michael sai de cena, espera-se que as luzes se apaguem para que ele possa caminhar, em paz, na lua!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Vanila Sky


Estou nas nuvens! E isso não é nenhuma figura de linguagem. O avião decolou e me pego apreciando aqueles flocos branquinho, como algodão. Não observo mais como uma criança que busca as figuras conhecidas. Eu apenas vejo a beleza que tem na simplicidade que a nuvem. E, de repente, comecei a perceber porque a expressão “estar nas nuvens” é usada para designar felicidade. A felicidade é simples e, como já dizia Guimarães Rosa, a gente a encontra em horinhas de descuido.
Daqui de cima, comecei a ver as coisas, não só de um outro ângulo, como também de uma outra dimensão. Do céu, os gigantes edifícios ficam pequenininhos, assim como os problemas, a saudade, o rancor... Estou rindo de tudo. Como eles eram pequenos diante da vida!
Como eles são pequenos diante do milagre que é ver um pôr-do-sol do céu. Ele é maravilhoso. O azul do céu cede espaço para outro colorido. Vários matizes pintam o azul celeste de baunilha, laranja, dourado e, em alguns pontos, até o rosa. A luz que bate nas nuvens parece deixa-las com outra textura e consistência. Era como se estivesse voando num mar cheio de geleiras.
Que bom que não fechei a janela. Que bom foi ter olhado, por descuido, pelo vidrinho. Que bom foi ter encontrado a dona Felicidade!




O post veio atrasado. Foi na minha volta ao Rio. Devido alguns probleminhas no meu pc só pôde ser publicado agora, mas vale, né?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Tempo ao tempo

"O tempo passa quando a gente não está olhando". Ouvi essa frase num filme que assisti ontem à noite. Foi dita em meio a um monte de outras afirmativas interessantes, mas essa me chamou especial atenção. Quantas vezes esperei que o danado do tempo passasse pela minha vida carregando um monte de sentimentos, emoções e coisas velhas que já não cabiam mais! Quantas vezes ouvi as pessoas proferindo um dos ditados mais sábios para mim: "O tempo cura tudo. Isso vai passar".O fato é que o tempo passava.... mas só passava. Não curava, não levava nada embora. Mas, ontem, eu percebi que o deus Cronos tinha sim brincado um pouquinho com a minha vida. Quando eu deixei pra lá ele veio e levou as "velharias" com ele. Não que eu não desse valor a cada fitinha, a cada lembrança ou sentimento empoeirado. Mas é que, há muito tempo, eu precisava limpar a casa, deixar a luz entrar, perfumar o ambiente para as coisas novas. O tempo levou, não jogou fora. Ele, na verdade, pôs as coisas velhas em seu lugar: no passado. Elas ficaram apenas como lembranças, não mais como meu mais precioso "presente". Vi isso assim que senti que meu coração não queimou mais, quando meu rosto não ruborizou e quando eu fiquei feliz em sentir apenas a paz.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sob as bençãos do Cristo

Já escrevi várias coisas desde que peguei o avião aqui pro Rio. Pense numa viagem critiva! O problema é que a internet aqui do hotel é muito ruim e não consigo postar os textos. Esse daí foi um dos primeiros... Estou enviando da sala de imprensa do Fashion Rio, entre um desfile e outro.



Clichês à parte, mas é inevitável começar esse post de hoje com a frase: “O Rio de Janeiro continua lindo”. Não é à toa que ganhou, com todo o mérito, o apelido de cidade maravilhosa. Acordei e, da minha varanda, dei de cara com a praia de Copacabana. O sol se exibia como em nenhum lugar. Também, lindos homens e mulheres desfilavam faceiros pelo calçadão e pelas areias branquinhas em busca do bronzeado que só o carioca tem.

O Rio é mesmo único e recebe o estrangeiro com os braços abertos, que nem o Cristo Redentor. O Rio, do Pão de Açúcar, do Corcovado, de Copacabana, da Lagoa, de Ipanema, do Leblon.... O Rio, do Maracanã, da Lapa, do samba, da bossa nova, da cerveja gelada... O Rio do malandro, da mulata, da loirinha, do surfista, do casal de velhinhos que caminha sem pressa...
Não sei o que é, mas a gente anda pelas ruas do Rio e se sente em uma cena de novela de Manoel Carlos. É exatamente assim que eu me sinto esses dias, como se estivesse, em câmera lenta, encenando uma trama global. As calçadas com uma gente alegre e bonita, os bares sempre abertos convidando à boemia, a praia seduzindo a um descanso... O povo parece falar com a língua universal do sorriso, dança como se estivesse andando e vive como se estivesse... vivendo! É, o Rio de Janeiro continua sendo.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

à tici, com carinho


O amor é imprevisível, mas, em alguns casos, surpreendente seria não amar. E foi assim, naturalmente, que passei a amar a menina do céu cor de rosa. Como não se entregar a alguém que revela tanta pureza e beleza em seu coração? Como não admirá-la por conseguir sempre enxergar o melhor das pessoas? Como não embarcar em seus sonhos mais impossíveis (ela sempre faz questão de manter os pés bem longe do chão seja pelos saltos enormes ou pelas idéias viajantes!) quando a empolgação é tão forte quanto presente? Como não se desmanchar quando ela sorri sem pudores ou deixa escapar lágrimas fartas de seus olhos mel? O olhar é doce, mas a presença é ainda mais açucarada. E o segredo dessa convivência não se tornar enjoativa é que ela ainda dá uma apimentada para cortar os excessos. Excesso mesmo só de carinho e confiança. Hoje sei que este foi um presente com direito a papel de seda e laço de fita vermelho e tudo. Se eu deixei de procurar joaninhas no meu jardim porque sei que elas vêem até nós foi graças a seu exemplo. A prova ela deu de na prática: minha grande amiga chegou quando eu menos esperava. Agora é fundamental na minha vida e eu não sei o que seria de mim sem sua presença. Te desejo uma vida repleta de joaninhas!